Bia Cardella sempre nos surpreendeu. Nesta obra ela nos presenteia com a sua poesia, sensibilidade, sabedoria e ética. No seu mais recente livro O curador ferido e a clínica contemporânea, ela expõe, a partir de ensaios cativantes, sobre o ser terapeuta e o seu compromisso com aqueles com quem trabalha. Inspirando-se no mito de Quíron, o curador ferido que dá título ao livro, fala da condição deste de ser capaz de curar aos outros, mas não a si mesmo. Uma analogia ao trabalho do psicólogo e do Gestalt-terapeuta que dedica sua vida a cuidar do sofrimento do outro, num trabalho que, muitas vezes, exige abdicar de seus próprios. A existência humana que envolve a ética, a estética, o afeto e a esperança são condições fundamentais para que a relação terapêutica possa alcançar seu intento: o cuidar das relações, diz a autora. Esses, dentre outros temas estão dispostos em nove capítulos e dez crônicas, cuja leitura é de se saborear. Obrigado, você nos deixou um legado muito rico, Bia. (Nilton Júlio de Faria).